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sábado, 10 de janeiro de 2015

Último dia para conferir a exposição Pure Love, de Gabriele Porta, na Galeria Federica Schiavo, em Roma


Dando prosseguimento ao compartilhamento da viagem à Roma, segue o material relativo à exposição "Pure Love", de Gabriele Porta, que acontece até hoje na Galeria Federica Schiavo, em Roma.

A exposição reúne oito trabalhos do artista italiano em torno dos temas amor, sexo e morte. Particularmente inquietante é o video Untitled (My Wedding Will Be A Funeral), de 2014, realizado a partir de um filme amador queniano, encontrado pelo artista nos arquivos da BBC, em Londres. O filme apresenta cruamente um ritual violento que o título do trabalho vincula ao tradicional regime matrimonial de conjugalidade.

Gabriele Porta. Untitled (My Wedding Will Be A Funeral), 2014
video low fi, loop, no sound, 5 min 55 sec
Gabriele Porta. Untitled (My Wedding Will Be A Funeral), 2014
video low fi, loop, no sound, 5 min 55 sec
A tensão erótica entre a projeção e os demais trabalhos, indicada no press release abaixo, é extremamente bem construída pela montagem dos trabalhos nas três salas de exposição, no escritório e no corredor da galeria. A chegada à sala dois (a última que visitei), onde o vídeo citado está instalado, nos força a ressignificar tudo o que vimos nas demais salas (sobretudo a série de trabalhos sobre papel da sala 3, que leva o mesmo título do vídeo). No caminho de volta até a saída da galeria vemos os trabalhos diferentemente, o que parece indicar a potência plástica e significativa da produção deste jovem artista.

Gabriele Porta. The Long Impurification Has Begun, 2014
enamel on mdf board, walnut wood, 142,5 x 189 x 4 cm (142,5 x 92 x 4 cm each)


PURE LOVE
GABRIELE PORTA

21 November 2014 - 10 January 2015
Opening Reception, Friday 21 November, H 6:00-9:00 PM
Federica Schiavo Gallery, Piazza di Montevecchio 16, Rome

Federica Schiavo Gallery is delighted to present Pure Love, Gabriele Porta's first solo show in Rome. The exhibition is built around three main themes: love, sex and death, within the artist develops a wide range of shades such as tenderness, pornography, the cult of death.

In Porta's work these issues present the eternal dualism between opposites that however do not entail a real contrast but a mutual completion and it leads to a new territory where the visitor will experience a continuous oscillation between pleasure and disgust.

The exhibition includes a video on a monitor, a video projection, a new series of paintings on board, prints and drawings on sandpaper.

The cornerstone of the exhibition - even though decentralized in the gallery's space - is the connection of the video projection My Wedding Will Be A Funeral, a cruel amateur film shot in Kenya, to a series of works on paper whose lightness creates a powerful and disturbing contrast with the content of the video.

Gabriele Porta.  Untitled (My Funeral Will Be A Wedding), 2014
spray paint on arches paper, glitter,  51 x 35,5 cm (framed: 60 x 44,5 x 4 cm each)
Gabriele Porta.  Untitled (My Funeral Will Be A Wedding), 2014
spray paint on arches paper, glitter,  51 x 35,5 cm (framed: 60 x 44,5 x 4 cm each) 

The show Pure Love is prohibited to minors under the age of 18.

Gabriele Porta. Untitled (The Last Thought In Kids Lives Is Love), 2014
print on aluminum pet, spray paint, 62 x 42 cm each (framed: 72,5 x 52,7 x 4 cm each)

Gabriele Porta. Untitled (The Amazing Love In Someone Who Does Not Believe In The Possibility Of Genocide), 2014
print on sandpaper, fluo enamel, 28 x 21cm each (framed: 35,5 x 28,5 x 3 cm each)
Gabriele Porta was born in Monza in 1981. He lives and works in Arcore, Italy. After his studies at the Brera Fine Arts Academy in Milan, 2004, he won a scholarship at the Slade School of Fine Art - UCL of London where he had his MA Master Degree in Fine Arts Media in 2007. The artist has participated in many group exhibitions in Italy including The Milky Way, Galleria Lia Rumma, Naple 2014 (promoted by Pianoterra Onlus); La fioritura del bambù, Viafarini DOCVA, Milan 2009; The Inner Emotion of Being Alive, Federica Schiavo Gallery, Rome 2009. His work was exhibited in many european cities: London, UK; Paris, France; Locarno, Switzerland; Reyjavik, Iceland.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SMALL Rome, curada por Adam Carr, na Galeria Frutta (Roma)


Nas minhas andanças por Roma no mês passado, auxiliado pelo Artguide, visitei pela primeira vez a galeria Frutta, onde é possível, até o dia 24 de janeiro, ver a bela exposição Small Rome, curada pelo inglês Adam Carr.

SMALL Rome, 2014, Installation View, Frutta

A exposição, na contramão da monumental cidade de Roma e do imperativo espetacular que insiste em se instalar no mercado da arte contemporânea, é um elogio do pequeno, do menor. Lupas são disponibilizadas logo na entrada da galeria e são a metáfora perfeita do tipo de atenção que a exposição demandará do público (além de serem realmente úteis para a leitura dos créditos das obras, em tipologia minúscula). 

SMALL Rome, 2014, Installation View, Frutta

Nada de maravilhamento com o monumental, nada que componha um bom selfie. É preciso chegar perto, abaixar-se, ter cuidado para não pisar nas obras que, por vezes, são quase invisíveis, como é o caso do trabalho de Amanda Ross-Ho, que consiste em quarenta taças de vinho de 1,6 cm cada espalhadas em pequenos conjuntos por toda a galeria.

Amanda Ross-Ho, Untitled Opening (NOIR AND BLANC), 2014,
Forty 1:12 Scale Glass Wine Glasses, Pigmented Resin, 1,6 cm
Mas Small Rome oferece mais do que a virtuose técnica da produção do minúsculo (uma nanoarte?). A exposição apresenta uma economia material e gestual que não corresponde a uma pobreza argumentativa e/ou plástica. Temos a oportunidade de experimentar uma reversão do consumo ligeiro da arte, na medida em que os trabalhos expostos nos demandam um tipo de atenção e cuidado que nos instala em uma temporalidade cada vez mais difícil de ser encontrada nos cenários urbanos contemporâneos.

A poucos minutos do Coliseum, pode-se experimentar essa outra Roma, menor sem dúvida, mas onde os paus de selfie dão lugar às lupas, e onde o reconhecimento da paisagem exaurida pelo turismo dá lugar às descobertas do investigador atento.

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SMALL Rome
curated by Adam Carr
17 December 2014 - 24 January 2015

Artistas: Jacqueline Bebb, Nina Beier, Adam Broomberg and Oliver Chanarin, Sol Calero, James Clarkson, Susan Collis, Gabriele De Santis, Jason Dodge, Sean Edwards, Tim Foxon, Ryan Gander, Ditte Gantriis, Mario Garcia Torres, Gareth Griffith, Brian Hubble, Dean Hughes, David Keating, Chosil Kil, Jonathan Monk, John Henry Newton, Alek O., Joe Orr, Wilfredo Prieto, Laura Reeves, Amanda Ross-Ho, Andreas Slominski, Mateo Tannatt, Mungo Thomson, Oliver Tirre, Santo Tolone, Brent Wadden, Bedwyr Williams, Jesse Wine

Frutta
Via Giovanni Pascoli, 21
00184 Roma
Italy

+39 06 68210988


domingo, 8 de junho de 2014

Hoje é o último dia do Dança em Foco: Festival Internacional de Vídeo & Dança | notas sobre dois programas


Anualmente, o Dança em Foco: Festival Internacional de Vídeo & Dança ocupa uma série de espaços na cidade do Rio de Janeiro, promovendo conversas/debates e exibindo trabalhos de videodança. Este ano, o Festival começou na Maison de France, ocupou o Museu de Arte do Rio (MAR) por uma semana e se encerra hoje no Teatro Cacilda Becker. Ontem, finalmente, consegui ir ao festival e assisti a dois programas: Curtas internacionais e O legado de Merce Cunningham. Sobre o primeiro programa, cheguei no final do primeiro vídeo El asesinato de lo real (Chile, 2012), mas pude assistir integralmente a Restraint (Reino Unido, 2013) e ...I said you! (Eslováquia, 2013). 

O que mais chama a atenção na produção, ainda pouco difundida (mesmo entre o público de dança ou de artes visuais), de videodança é o fato de que se trata de um processo de criação artística que é fundamentalmente "interartes" ou "transartes". Ou seja, não se trata de uma "dança filmada", mas de uma coreografia na qual, além dos corpos dos bailarinos, são contemplados movimentos de câmera, edição e sonoplastia. Nenhum privilégio é concedido à dança ou ao vídeo. A câmera é, também, corpo que dança; a edição é, também, coreografia. Como os diretores do Festival escrevem no texto de apresentação da programação deste ano, trata-se de uma "arte em que a dança é feita de vídeo, e o vídeo é feito de dança".


Restraint, dirigido por John Coombes e coreografado por Lucy Bourne & Antonia di Carlo, apresenta três bailarinas dando corpo a três diferentes personagens, cujos movimentos, embora não sejam sincronizados, parecem desdobrar-se de um "espreguiçar" e encontram limites à expansão infinita que, ora são cordas ou o próprio corpo das bailarinas, ora é a edição do vídeo. O que chama a atenção neste trabalho não é um suposto simbolismo dos gestos cuja leitura caberia ao espectador, mas a forma como a edição paralela, que apresenta as três personagens, constrói uma narrativa, a partir do puro movimento e de suas restrições. 

...I said you!, dirigido por Lubica Sopkova e coreografado por Jan Sevcik, é um videodança que se estrutura em dois blocos. No primeiro, em preto e branco, um grupo de homens dança, vestindo preto, sobre um fundo composto por quadrados pretos e brancos, o que promove temporariamente o apagamento dos bailarinos e, a depender da posição da câmera, transforma momentaneamente seus corpos em abstrações. A cuidada composição dos quadros deste primeiro bloco fez lembrar das composições geométricas abstratas que marcaram as artes gráficas modernas. Ao passo que a segunda parte do vídeo, em cores, gravada em um cenário natural, com os mesmos dançarinos usando as mesmas roupas pretas, cria uma atmosfera que remete ao impressionismo. Digo isto pois, neste segundo bloco, aos movimentos dos corpos e das câmeras soma-se uma luz que, menos contrastante do que a que marca a primeira parte do vídeo (preto e branco, quase sem sombras ou cinzas), compõe um quadro que tenta acompanhar o movimento dos bailarinos, à semelhança da relação que o pintor impressionista parece ter com as variações cromáticas provenientes da iluminação natural.


O programa O legado de Merce Cunningham consistiu na exibição de dois trabalhos de Cunningham que, pelas dinâmicas espaciais que apresentam, foram pensados ou recriados para o vídeo. Nos dois trabalhos, o som desempenha um papel crucial. O primeiro, uma comédia, faz uso de uma trilha que atribui um tom cômico aos movimentos, marcando-os, pontuando-os, um pouco como vemos no cinema de um Buster Keaton. O segundo captura e torna audível os sons produzidos pelos próprios movimentos dos dançarinos, as respirações ofegantes, os atritos, as quedas. Esta sonoridade incômoda é tensionada com as belas composições espaço-temporais produzidas pelo deslocamento da câmera de um grupo de bailarinos a outro, do interior ao exterior da locação - a coreografia da câmera redimensiona, divide em camadas, preenche a profundidade de campo lindamente. Além deste trabalho sobre o som e a profundidade de campo, a edição do vídeo intercala imagens de arquivo dos ensaios desta coreografia no desenrolar das imagens que viemos assistindo. Parece haver uma falsa tentativa de construção uma continuidade entre dois momentos de realização do movimento (o ensaio e a apresentação), já que as diferentes materialidades dos registros em vídeo, precária no ensaio e quase transparente na apresentação, curto-circuita e inviabiliza esta continuidade. 

Transcritas e desdobradas as breves notas sobre o que vi ontem, desejo vida longa ao Festival e convido a todos que têm interesses artísticos, acadêmicos ou de qualquer ordem nas relações entre corpo e imagem, e aqueles que simplesmente queiram passar uma tarde/noite aproveitando a oportunidade de assistir belos trabalhos em confortáveis pufes, a darem uma conferida no último dia do festival, hoje, a partir das 14h. O Teatro Cacilda Becker fica na Rua do Catete, 338. A programação pode ser acessada aqui.

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