Mostrando postagens com marcador atenção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador atenção. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SMALL Rome, curada por Adam Carr, na Galeria Frutta (Roma)


Nas minhas andanças por Roma no mês passado, auxiliado pelo Artguide, visitei pela primeira vez a galeria Frutta, onde é possível, até o dia 24 de janeiro, ver a bela exposição Small Rome, curada pelo inglês Adam Carr.

SMALL Rome, 2014, Installation View, Frutta

A exposição, na contramão da monumental cidade de Roma e do imperativo espetacular que insiste em se instalar no mercado da arte contemporânea, é um elogio do pequeno, do menor. Lupas são disponibilizadas logo na entrada da galeria e são a metáfora perfeita do tipo de atenção que a exposição demandará do público (além de serem realmente úteis para a leitura dos créditos das obras, em tipologia minúscula). 

SMALL Rome, 2014, Installation View, Frutta

Nada de maravilhamento com o monumental, nada que componha um bom selfie. É preciso chegar perto, abaixar-se, ter cuidado para não pisar nas obras que, por vezes, são quase invisíveis, como é o caso do trabalho de Amanda Ross-Ho, que consiste em quarenta taças de vinho de 1,6 cm cada espalhadas em pequenos conjuntos por toda a galeria.

Amanda Ross-Ho, Untitled Opening (NOIR AND BLANC), 2014,
Forty 1:12 Scale Glass Wine Glasses, Pigmented Resin, 1,6 cm
Mas Small Rome oferece mais do que a virtuose técnica da produção do minúsculo (uma nanoarte?). A exposição apresenta uma economia material e gestual que não corresponde a uma pobreza argumentativa e/ou plástica. Temos a oportunidade de experimentar uma reversão do consumo ligeiro da arte, na medida em que os trabalhos expostos nos demandam um tipo de atenção e cuidado que nos instala em uma temporalidade cada vez mais difícil de ser encontrada nos cenários urbanos contemporâneos.

A poucos minutos do Coliseum, pode-se experimentar essa outra Roma, menor sem dúvida, mas onde os paus de selfie dão lugar às lupas, e onde o reconhecimento da paisagem exaurida pelo turismo dá lugar às descobertas do investigador atento.

---

SMALL Rome
curated by Adam Carr
17 December 2014 - 24 January 2015

Artistas: Jacqueline Bebb, Nina Beier, Adam Broomberg and Oliver Chanarin, Sol Calero, James Clarkson, Susan Collis, Gabriele De Santis, Jason Dodge, Sean Edwards, Tim Foxon, Ryan Gander, Ditte Gantriis, Mario Garcia Torres, Gareth Griffith, Brian Hubble, Dean Hughes, David Keating, Chosil Kil, Jonathan Monk, John Henry Newton, Alek O., Joe Orr, Wilfredo Prieto, Laura Reeves, Amanda Ross-Ho, Andreas Slominski, Mateo Tannatt, Mungo Thomson, Oliver Tirre, Santo Tolone, Brent Wadden, Bedwyr Williams, Jesse Wine

Frutta
Via Giovanni Pascoli, 21
00184 Roma
Italy

+39 06 68210988


quinta-feira, 31 de maio de 2012

V SEMINÁRIO NACIONAL DE PESQUISA EM ARTE E CULTURA VISUAL: Geopolítica, arte e cultura visual


De 4 a 6 de junho estarei em Goiânia por ocasião do V Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual, onde apresentarei trabalho sobre a imagem e linguagem na poética do português Camilo Pessanha, poeta que tive a sorte de ler na minha última temporada lisboeta, no seminário da Profa. Paula Costa (UNL).

A programação geral do evento pode ser conferida aqui e as sessões de comunicação aqui.

Segue o resumo de minha apresentação, que tem o título "ENTRE O ASSASSÍNIO E A REVELAÇÃO: IMAGEM E LINGUAGEM NA CLEPSYDRA, DE CAMILO PESSANHA"

"Propomos uma análise do estatuto da imagem e da visualidade na poética de Camilo Pessanha (1867-1926). Primeiramente, retomamos as teses do historiador da arte Jonathan Crary (1992), a partir das quais investigamos a pregnância do sentido da visão e das imagens nos textos que integram a Clepsydra, livro do poeta simbolista português, publicado em 1920. Em um segundo movimento, evocamos os conceitos de imagem de Henri Bergson e de linguagem de Maurice Blanchot para pleitear a extemporaneidade da poética de Pessanha, a partir do papel que visão e imagem adquirem em sua obra, bem como nos regimes epistemológicos ditos pós-modernos."

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ultrassonografia de uma dissertação ou o resumo

Após as intervenções pós-qualificação, acho que a versão final de minha dissertação, já batizada de "ATENÇÃO, TRANSDUÇÃO, INDETERMINAÇÃO: Sobre estética e política à luz das imagens heterocrônicas e das narrativas transmídia", pode ser resumida assim:
A presente dissertação está ancorada em três termos: atenção, transdução e indeterminação. Nossa hipótese consiste na defesa de uma relação de imanência entre eles, sendo a atenção um sistema transdutivo portador de um potencial de indeterminação. Tal formulação se afasta da abordagem cognitivista da atenção que, baseada na Teoria da Informação e comprometida com a eficácia no desempenho de tarefas, tornou-se a perspectiva hegemônica nos discursos acerca da atenção. Além disso, nossa asserção está na base, ao mesmo tempo em que é um efeito, do nosso entendimento de como se relacionam estética e política na contemporaneidade. Pois se por um lado, o fato de pensarmos os regimes atencionais como sistemas transdutivos nos liberta de um mundo dado a priori, por outro, a margem de indeterminação implicada neste sistema abre nosso campo de experimentação afetiva a todo tipo de investimento, intencional e não-subjetivo, que delineia as estruturas dinâmicas de poder que configuram nossa formação histórica. Privilegiaremos em nossas análises dois recentes fenômenos midiáticos que nos parecem estratégicos para uma leitura das relações entre estética e política, à luz da noção de atenção: o que Thomas Levin (2006) chamou de imagens heterocrônicas e o que ficou popularmente conhecido como narrativas transmídia. O primeiro deriva dos desenvolvimentos digitais nas tecnologias da imagem, sobretudo em seu aspecto modular (Manovich: 2001), que propicia um colapso nas categorias forjadas na estética de Gotthold Efraim Lessing de consecução e adjacência, de narração e imagem, de tempo e espaço. O segundo fenômeno configura-se na esteira dos desenvolvimentos da web 2.0, que reconfiguram o contexto midiático sem que os sistemas tradicionais de transmissão (broadcast) desapareçam. No caso das narrativas transmídia, observamos um rearranjo na lógica narrativa que se tornou hegemônica na indústria cultural moderna, no sentido de que essas novas narrativas deixam de ser entendidas como um sistema fechado, portador de um sentido determinado no âmbito da produção, e se capilariza nas redes, adquirindo tantos sentidos quanto os nós que é capaz de produzir. Nossas análises dos processos atencionais orquestrados por essas novas produções midiáticas supõem a instalação da atenção na dobra entre o mundo como fluxo e movimento e o mundo individuado e estático, o que desenvolvemos a partir de autores como Henri Bergson e Gilbert Simondon.
Caso o finalzinho deste período pré-natal ocorra sem grandes emoções e a "criança" esteja saudável, será um prazer compartilhar o parto com os amigos.
Data, hora, local e banca: informo assim que estiver com tudo confirmado.
 

Postagens populares