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sábado, 5 de maio de 2012

Quem veio conversar com Gumbrecht na última quinta-feira?


Semanalmente, no curso "A vida secreta dos objetos", um aluno fica responsável por tomar nota dos autores que são citados na discussão mas não estão necessariamente listados no programa. Na última quinta-feira, dia 3, fui esta pessoa.
O programa da aula era "Materialidades: comunicação e presença [Gumbrecht]" e esta foi conduzida pela Profa. Simone Pereira de Sá


TEXTO-AULA: Introdução e caps “Para além do sentido: posições e conceitos em movimento” e “Epifania/prentificação/ Dêixis: futuros para as humanidades e as Artes.” do livro : “Produção de Presença - o que o sentido não consegue transmitir” - Gumbrecht, Hans Ulrich. Contraponto/PUC-Rio, 2010, Rio de Janeiro

TEXTOS COMPLEMENTARES: 
Gumbrecht, Hans Ulrich. Corpo e Forma. Ensaios para uma crítica não-hermenêutica. Org: João Cesar de Castro Rocha. Rio de Janeiro, EDUERJ, 1998;
Gumbrecht, Hans Ulrich; PFEIFFER, Ludwig – Materialities of Communication. Stanford. Stanford Univ Press, 1994
Pereira, Vinicius Andrade - Reflexões sobre as materialidades dos meios: embodiment, afetividade e sensorialidade nas dinâmicas de comunicação das novas mídias. Revista Fronteiras VII(2): 93-101, mai-ago de 2006.


Obras (ordem alfabética – sobrenome do autor):


AUERBACH, Erich. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo: Perspectiva, 1998.
BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas III: Charles Baudelaire um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1989.
CHARNEY, L. e SCHWARTZ, V. (org.). O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.
CRARY, Jonathan. Suspensions of perception: attention, spectacle and modern culture. Massachusetts: MIT Press, 1999.
CRARY, Jonathan. Techniques of Observer. On vision and modernity in the XIXth century. Massachusetts: MIT Press, 1993.
DIDI-HUBERMAN, George. Invention de l'hystérie: Charcot et l'iconographie photographique de la Salpêtrière. Paris: Éditions Macula, 1982.
ECO, Umberto. Obra aberta. São Paulo: Perspectiva, 2001.
FARGE, Arlette. Essai pour une histoire des voix au dix-huitième siècle. Paris: Bayard, 2009.
GADAMER, Hans-Georg. Truth and Method. London: Sheed & Ward, 1975.
GUMBRECHT, H. U. Corpo e forma: ensaios para uma crítica não-hermenêutica. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998.
GUMBRECHT, H. U. In 1926: Living on the Edge of Time. Cambridge: Harvard University Press, 1997.
GUMBRECHT, H. U. Modernização dos sentidos. São Paulo: Editora 34, 1998.
GUMBRECHT, H. U. “‘Pathos da Travessia Terrena’- o Cotidiano de Erich Auerbach”, in Castro Rocha, João Cezar de. V Colóquio UERJ: Erich Auerbach. Rio deJaneiro: Imago, 1994.
MOTTA, Nelson. Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2000.
RANCIÈRE, Jacques, The Emancipated Spectator. Londres, Nova York: Verso, 2009.
RICOEUR, Paul, Hermeneutics & the Human Sciences: Edited & Translated by John B. Thompson. Cambridge, Paris: Cambridge University Press, Editions de la Maison des Sciences de l'Homme, 1981.
SHAVIRO, Steven. “The Universe of Things” (http://www.shaviro.com/Blog/?p=893)
ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

Autores (ordem de aparição):

Hans Robert Jauss
Wolfgang Iser
Friedrich Schleiermacher
Louis Hjelmslev
Roger Chartier
Friedrich Kittler
Humberto Maturana
Francisco Varela
Niklas Luhmann
Norbert Elias

Polêmica Andréa Daher Vs. H. U. Gumbrecht

Vídeo  de McLuhan falando, com mulheres nuas ao fundo (se eu descobrir a referência exata atualizo aqui)

sábado, 31 de março de 2012

El empleo: sobre sujeito e objeto, sujeito-objeto e objeto-sujeito


Dentre as discussões que vêm ocorrendo no âmbito do curso "A vida secreta dos objetos: tecnologia, cognição e materialidades da comunicação", ministrado conjunta e colaborativamente por Erick Felinto (UERJ), Fernanda Bruno (UFRJ) e Simone Pereira de Sá (Uff), parece-me que uma das mais interessantes diz respeito à permanência de certa centralidade do sujeito no interior de epistemologias emergentes, que procuram dar conta disso mesmo que dá nome ao curso: a vida secreta dos objetos. 

Esta semana recebi um vídeo que, a partir das leituras que fizemos até agora, pareceu-me digno de nota. Trata-se do curta-metragem de animação El Empleo, do argentino Santiago Bou Grasso, onde vemos humanos desempenhando funções e mimetizando a forma dos objetos, em uma crítica de relações de trabalho que me pareceram tipicamente modernas (o que o filme apresenta talvez esteja na gênese do capitalismo cognitivo e do trabalho imaterial) . Tanto a objetualização dos sujeitos  (na crítica do trabalho) quanto a humanização dos objetos (na crítica dos objetos técnicos) parecem constituir procedimentos recorrentes na indústria cultural. Isto viria reforçar, à luz dos embates que os textos de Benjamin e Shaviro desencadearam, a dificuldade de ultrapassagem do antropomorfismo, mesmo quando o ponto de partida é anti-antropocêntrico.


O filme de Bou Grasso, apesar de seu antropomorfismo (e talvez por isso mesmo!), deixa algumas pistas interessantes, que podemos seguir ao refletir sobre este pensamento não-hermenêutico dos objetos. Esboço abaixo, apressadaments, algumas questões: 

1) qual a diferença entre objeto e matéria? a concepção de um sujeito que é corpo (matéria) teria a potência de redimir um "antropomorfismo mínimo" de sua vinculação histórica ao antropocentrismo? 

2) a instrumentalidade do objeto como dimensão indissociável de fato, mas distinta por natureza de sua materialidade seria um obstáculo na formulação de uma teoria não-hermenêutica dos objetos?

3) como pensar a relação dos objetos entre eles (o capacho para existir como capacho, entra em relação com abajour, mesas, cadeiras, táxis etc) para além de nossa relação com eles?

Enfim, as pulgas vão se reproduzindo, a cada aula, em progressão geométrica!

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