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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cineclube na Praia Vermelha: Quem são os Guarani-Kaiowá?


Hoje, os CAs da Praia Vermelha em parceria com o Cineclube Cinerama vão exibir o curta “À Sombra de um Delírio Verde” que fala sobre a questão dos indígenas Guarani-Kaiowá, etnia que vem sido dizimada e brutalmente explorada pelo agronegócio no Estado do Mato Grosso do Sul.

Sinopse
Na região Sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, o povo indígena com a maior população no Brasil trava, quase silenciosamente, uma luta desigual pela reconquista de seu território. Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, juntamente com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto. Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros."

Tempo: 29 min
Países: Argentina, Bélgica e Brasil
Narração: Fabiana Cozza
Direção: An Baccaert, Cristiano Navarro, Nicola Mu

Quinta, 1º de Novembro de 2012, às 18h30min
UFRJ - Campus Praia Vermelha, em frente ao Palácio Universitário

Venha ficar por dentro desse debate! O cineclube será ao ar livre, por isso traga sua canga para ficar à vontade.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Seminário "Cultura / Políticas Públicas: a conexão acadêmica"


Abertura na Escola de Música da UFRJ, na Lapa.  A partir de quinta-feira, na Sala Pedro Calmon, Fórum de Ciência e Cultura, Campus da Praia Vermelha da UFRJ

Neste link, a descrição completa, com as ementas das mesas e os curriculos dos participantes: http://www.pacc.ufrj.br/seminario-cultura-politicas-publicas-a-conexao-academica/

ABERTURA - Quarta-feira, 12 de setembro, às 18h - Escola de Música, UFRJ
“Poder sentar um pouco à beira da estrada” - Marcio Meirelles, Diretor do Teatro Vila Velha e ex-Secretário de Cultura da Bahia

Quinta-feira, 13 de setembro, das 9h às 12h30 - Sala Pedro Calmon
AÇÕES, CONCEITOS E POLÍTICAS DE PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL: A INSERÇÃO ACADÊMICA EM QUESTÃO.
Marta Zambrano – Departamento de Antropologia da Universidad Nacional de Colombia
Claudia Marcia – Centro de Folclore e Cultura Popular, IPHAN, MinC
Antônio Carlos Vieira – Museu da Maré, Rio de Janeiro
Spirito Santo – Grupo Vissungo e Musikfabrik, curso livre da UERJ
Moderador: Samuel Araújo – Escola de Música da UFRJ

Quinta-feira, 13 de setembro, das 14h30 às 18h
OUTRAS EPISTEMOLOGIAS E A ACADEMIA
José Jorge de Carvalho – Departamento de Antropologia da UnB
Rosângela Araújo – Faculdade de Educação da UFBA
Rosângela de Tugny – Escola de Música da UFMG
Júlio César de Tavares – Departamento de Antropologia da UFF
Moderadora: Liv Sovik – Escola de Comunicação/ Programa Avançado de Cultura Contemporânea, FCC, UFRJ

 Sexta-feira, 14 de setembro, das 9h às 12h30
A CULTURA COMO ALAVANCA DO DESENVOLVIMENTO: A ATUAÇÃO DA UNIVERSIDADE 
Cláudia Pfeiffer – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ
Heloisa Buarque de Hollanda – Programa Avançado de Cultura Contemporânea,FCC, UFRJ
Paul Heritage – Teatro, Queen Mary University of London / People’s Palace Projects
Silvia Esteves – ex-diretora de Bibliotecas e Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte
Moderador: Victor Hugo Adler Pereira – Instituto de Letras, UERJ

Sexta-feira, 14 de setembro, das 14h30 às 18h
MODELOS DE GOVERNANÇA, ACADEMIA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Edson Cardoso – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Governo Federal
Eliane Costa – Programa Avançado de Cultura Contemporânea, FCC, UFRJ
Wanderley Guilherme dos Santos – Presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, MinC
Albino Rubim – Secretário de Cultura do Estado da Bahia
Moderadora: Adriana Facina – Departamento de História, UFF

Organização do Seminário:
Samuel Araújo –  Escola de Música da UFRJ 
Liv Sovik – Escola de Comunicação/Programa Avançado de Cultura Contemporânea, FCC, UFRJ
Assistente: Camila Lima – Escola de Comunicação, UFRJ
Entrada franca.

O evento é fruto do projeto interinstitucional "Democratização Cultural e Políticas Públicas: um debate interdisciplinar", realizado entre a UFRJ (EM e ECO), UFF (História) e UERJ (Letras) e financiado pelo edital 12/2008 (Pró-Cultura) da CAPES.

Pesquisadores principais do projeto interinstitucional "Democratização Cultural e Políticas Públicas: um debate interdisciplinar":
Samuel Araújo – Escola de Música da UFRJ (Coordenador)
Adriana Facina – Departamento de História da UFF
Liv Sovik – Escola de Comunicação/PACC-FCC, UFRJ
Victor Hugo Adler Pereira – Instituto de Letras da UERJ
Apoio
CAPES
Ministério da Cultura
Programa Avançado de Cultura Contemporânea/FCC/UFRJ
Realização
UFRJ - Escola de Música, Escola de Comunicação e Fórum de Ciência e Cultura
Endereços
Sala da Congregação da Escola de Música, UFRJ
Rua do Passeio, 98 – Centro – RJ
(21) 2240-1391 | 2532-4649

Sala Pedro Calmon
Av. Pasteur, 250, 2º andar – Palácio Universitário do Campus da Praia Vermelha.
(21) 2295-2346

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Criminosos, até que se prove o contrário



Por volta de abril de 2009, recebi a notícia de que havia sido contemplado com uma bolsa de estudos da Comissão Européia para realizar um mestrado Erasmus Mundus, com lugar em três países europeus (Portugal, Espanha e Inglaterra). A notícia, evidentemente, me deixou muito feliz e, poderia até dizer, que me sentia reconhecido como pela Velha Europa. O que depois constatei que era uma grande ilusão, uma vez que há um divórcio entre os Estados Membros da UE em sua concretude institucional e os projetos desenvolvidos nas altas cúpulas européias.
Realizados os procedimentos de matrícula, internos ao programa de mestrado, meu primeiro encontro com o governo português, através do Consulado de Portugal no Rio, já prenunciava que o sentimento de prestígio não era mais que uma alucinação. Tudo correu normalmente. Quero dizer com isso que, até dar entrada no pedido de visto, perdi umas 3 ou 4 manhãs inteiras, eventualmente fui tratado com grosseria ou impaciência, e, entre a primeira visita e a última, nenhum documento substancialmente novo foi incorporado no meu processo. O visto me foi concedido a menos de quatro horas da partida do meu vôo Rio de Janeiro-Lisboa.
Já em Lisboa, era preciso ir ao SEF, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, um órgão policial com soberania investigativa, o que significa que não há nenhuma regra clara, nenhuma relação óbvia entre os documentos listados no site e os solicitados cara-a-cara. Na segunda visita à instituição, no Marques de Pombal, em dezembro passado, consegui resolver minha situação, depois de 8 horas de espera, sem água para beber (O policial me informou que isso não era problema deles, embora houvesse ali um filtro à secas). Tudo dentro da normalidade: demora e maus tratos.
Janeiro de 2010 e é chegada a hora de passar novamente por esses processos, normais, de quem viaja a estudo. Agora, no Consulado de Espanha em Lisboa. Dessa vez, foram 12 idas ao Consulado e atendimento em um guichê que exibia a ultrajante e emblemática placa “Cuidado, estou de mau humor”, além da venda estapafúrdia de fotocópias certificadas de todo o passaporte (inclusive páginas em branco), sem recibo e sem que eu jamais as tivesse em minhas mãos. Por acaso, uma amiga de Sérvia, do mesmo mestrado, com o mesmo funcionário, precisou pagar duas vezes pelo pedido de visto, pois ele não sabia que Santiago de Compostela era província de A Coruña, de modo que o pedido de minha amiga não chegou onde devia e foi rejeitado.
Recebi meu visto de Espanha quase duas semanas depois de iniciadas as aulas, fui à Polícia quando cheguei em Santiago de Compostela (desta vez, à Polícia propriamente dita), me registrei sem nenhum problema em cerca de 20 minutos (imagino que eles tenham criminosos mais perigosos que nós para maltratar).
Este ano foi preciso renovar a autorização de residência aqui em Lisboa e nada de extraordinário se passou. Desta vez, foram apenas 7 horas no CNAI (Centro Nacional de Apoio ao Imigrante), onde há até máquina de café. Ali, depois de uma funcionária, na triagem, me dizer que não aceitariam a carta da Comissão Européia informando da bolsa, pois estava em inglês (a mesma carta aceita sem problemas no ano anterior e, no fim das contas, também aceita este ano), uma funcionária me tratava com um misto desta arrogância já referida e de um tom infantilizante por eu ser estudante, pedia-me minhas notas e questionava o fato de eu ter feito apenas duas disciplinas, o que provém da estrutura mesma do mestrado (a qual eles desconhecem por completo). Deste modo, atualmente aguardo a chegada do meu novo cartão de residente e alguns documentos para dar entrada, no começo do ano, no meu pedido de visto pra a Inglaterra, onde termino meu mestrado.
Estas linhas, entretanto, foram desencadeadas por um telefonema, recebido agora de manhã, de um amigo brasileiro que fez o mesmo mestrado que eu e atualmente cursa o doutoramento em Lisboa. Hoje, ele viajou (pela hora, já deve ter ido) para o Brasil para passar as festas de fim de ano com a família. Ontem à noite, recebeu um telefonema do SEF que o intimava a comparecer no CNAI. Hoje, antes de seu vôo, esteve lá e era preciso assinar novamente um documento, segurando a caneta com mais força. Já no aeroporto, indo pra casa, precisou apresentar o cartão de residente. Como acaba de pedir a renovação, conta apenas com a fotocópia do antigo (coisa que eu nem tenho) e com os recibos do SEF. Ao comunicar isso ao policial, já abrindo a mochila para mostra-los, ouviu: “Mostra logo isso ou te levo preso por estar ilegal”.
A arrogância, truculência e inabalável soberania dos quadros responsáveis pelas emissões de visto e de autorizações de residência, junto ao movimento de criminalização da imigração, nos deixam duas possibilidades de toma de posição: A resignada, que consiste em “farei tudo o que eles mandarem, quantas vezes eles mandarem, até meu dinheiro acabar e, quando isso acontecer, volto pra casa”; ou a indignada, que consiste na resignada, mas que a torna pública.

Lisboa, dezembro de 2010

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