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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ultrassonografia de uma dissertação ou o resumo

Após as intervenções pós-qualificação, acho que a versão final de minha dissertação, já batizada de "ATENÇÃO, TRANSDUÇÃO, INDETERMINAÇÃO: Sobre estética e política à luz das imagens heterocrônicas e das narrativas transmídia", pode ser resumida assim:
A presente dissertação está ancorada em três termos: atenção, transdução e indeterminação. Nossa hipótese consiste na defesa de uma relação de imanência entre eles, sendo a atenção um sistema transdutivo portador de um potencial de indeterminação. Tal formulação se afasta da abordagem cognitivista da atenção que, baseada na Teoria da Informação e comprometida com a eficácia no desempenho de tarefas, tornou-se a perspectiva hegemônica nos discursos acerca da atenção. Além disso, nossa asserção está na base, ao mesmo tempo em que é um efeito, do nosso entendimento de como se relacionam estética e política na contemporaneidade. Pois se por um lado, o fato de pensarmos os regimes atencionais como sistemas transdutivos nos liberta de um mundo dado a priori, por outro, a margem de indeterminação implicada neste sistema abre nosso campo de experimentação afetiva a todo tipo de investimento, intencional e não-subjetivo, que delineia as estruturas dinâmicas de poder que configuram nossa formação histórica. Privilegiaremos em nossas análises dois recentes fenômenos midiáticos que nos parecem estratégicos para uma leitura das relações entre estética e política, à luz da noção de atenção: o que Thomas Levin (2006) chamou de imagens heterocrônicas e o que ficou popularmente conhecido como narrativas transmídia. O primeiro deriva dos desenvolvimentos digitais nas tecnologias da imagem, sobretudo em seu aspecto modular (Manovich: 2001), que propicia um colapso nas categorias forjadas na estética de Gotthold Efraim Lessing de consecução e adjacência, de narração e imagem, de tempo e espaço. O segundo fenômeno configura-se na esteira dos desenvolvimentos da web 2.0, que reconfiguram o contexto midiático sem que os sistemas tradicionais de transmissão (broadcast) desapareçam. No caso das narrativas transmídia, observamos um rearranjo na lógica narrativa que se tornou hegemônica na indústria cultural moderna, no sentido de que essas novas narrativas deixam de ser entendidas como um sistema fechado, portador de um sentido determinado no âmbito da produção, e se capilariza nas redes, adquirindo tantos sentidos quanto os nós que é capaz de produzir. Nossas análises dos processos atencionais orquestrados por essas novas produções midiáticas supõem a instalação da atenção na dobra entre o mundo como fluxo e movimento e o mundo individuado e estático, o que desenvolvemos a partir de autores como Henri Bergson e Gilbert Simondon.
Caso o finalzinho deste período pré-natal ocorra sem grandes emoções e a "criança" esteja saudável, será um prazer compartilhar o parto com os amigos.
Data, hora, local e banca: informo assim que estiver com tudo confirmado.
 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

XI Seminário Internacional de Comunicação e os 100 anos de Marshall McLuhan

Segue a apresentação do evento que vai rolar de 16 a 18 novembro na FAMECOS/PUCRS. O Seminário tem o tema "Mídias Locativas e Transmídia: De que meios estamos falando?" e se insere nas comemorações do centenário de Marshall McLuhan.

O Seminário Internacional da Comunicação, promovido pelo PPGCOM da Famecos/PUCRS, ocorre a cada dois anos e tem por objetivo congregar a comunidade científica, no domínio da comunicação e das ciências humanas, em busca de intercâmbio informativo e de reflexão partilhada. Entende-se que o saber é um produto de práticas coletivas, recebendo o indivíduo estímulo e condições apropriadas no contato com os seus pares. Em tempos de crise de referenciais, pensar em conjunto significa investir no patrimônio social e valorizar a interatividade.

McLuhan faria cem anos em 2011, e esse fato está gerando homenagens no mundo todo. O XI Seminário Internacional de Comunicação vai participar desse movimento e direcionar seus debates para as grandes questões da obra de McLuhan: as relações do homem com as tecnologias, os efeitos psicológicos das mídias e o tributo que a História para à Ciência. A aceleração das mudanças tecnológicas que o planeta enfrentou na primeira década do século XX foram não só anunciadas por McLuhan, como devidamente criticadas.

O canadense Marshall McLuhan (1911-1980) é um daqueles raros acadêmicos que, além de ultrapassar os muros da universidade com sua produção intelectual, sempre inovadora e interdisciplinar, conseguiu também cunhar expressões utilizadas pelo cidadão comum. A nossa aldeia global não seria a mesma sem McLuhan, até porque foi ele o criador da expressão "aldeia global". E, ao defender que "o meio é a mensagem", principiou um debate que continua animado até hoje e não dá amostras de se esvaziar. Podemos concordar ou não com suas ideias, mas não podemos ignorá-las.

Mas entender McLuhan não é tarefa fácil. Numa cena de "Annie Hall" ("Noivo nervoso, noiva neurórica", 1981), de Woody Allen, Marshall McLuhan, interpretando a si mesmo, afirma para um professor universitário numa fila de cinema que este não entendeu nada de sua obra. O XI Seminário Internacional de Comunicação não pode remediar essa cena, mas talvez possa dar subsídios poderosos para que ela não volte a acontecer, nem no mundo da ficção, nem no mundo real.

Os conferencistas são:
Bandeira Canadá Eric McLuhan (Instituto Harrison for the Arts)
Bandeira EUA Federico Casalegno (MIT)
Bandeira EUA William Uricchio (MIT)
Bandeira França Jean-Bruno Renard (Universidade Paul-Valéry - Montpellier III)
Bandeira França Georges Bertin (CNAM)
Bandeira Brasil Irene Machado (USP)
Bandeira Brasil Vinicius Andrade Pereira (UERJ)

As comunicações aprovadas podem ser conferidas em: http://www.pucrs.br/famecos/pos/seminariointernacional/

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