segunda-feira, 23 de abril de 2012

Plágio: é melhor prevenir do que remediar


Um tema cada vez mais recorrente na vida acadêmica é o plágio. Atravessado por questões de naturezas ética, científica e legal, a prática do plágio na "era da reprodutibilidade técnica" acabou sendo muito facilitada. Um simples ctrl+C, ctrl+V e estamos diante da versão mais bruta do plágio. Aciona-se o dicionário de sinônimos do editor de textos e o plágio vai se disfarçando originalidade.

Neste contexto, os professores ganham mais uma atribuição: a de policiais. Receber versões digitais dos trabalhos finais para a conferência da autoria no google tornou-se um procedimento padrão. Mas algumas vezes nem é preciso chegar a esse "grau de sofisticação". Recebemos textos impressos direto da internet, sem o cuidado da re-formatação, desativação dos links ou, ainda, com a própria fonte no cabeçalho da página.

Mais do que indicar a combinação de cara-de-pau e má fé, acho este tipo de prática sintomático de um modelo de educação baseado na burocracia do cumprimento de tarefas, no qual os alunos acham que por terem dedicado algum tempo à disciplina, via google, devem ser pontuados. Contra este modelo, caberia propor práticas de ensino emancipadoras que, além do prazer do pensamento, disseminem a potência da entrada em diálogo crítico com os textos, em um gesto mais antropofágico e menos copista.

Em termos práticos, algumas iniciativas têm ajudado muito a esclarecer alunos com relação ao modo de se apropriar de idéias e palavras de outrem:

1) recentemente circulou na lista da compós um game que, de forma lúdica e bem humorada, aborda a questão do plágio (infelizmente, ainda não encontrei uma versão em pt):
http://www.lycoming.edu/library/instruction/tutorials/plagiarismGame.aspx?goback=.gde_934617_member_106914563

2) a Comissão de Avaliação de Autoria (plágios) do Departamento de Comunicação Social, vinculado ao Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) da UFF produziu uma excelente cartilha sobre o tema
http://www.proppi.uff.br/portalagir/sites/default/files/cartilha_autoria_-_digital.pdf

Se estas ferramentas não irão assegurar o fim do plágio acadêmico, elas podem, ao menos, poupar os professores do irritante (mas muitas vezes sincero) "eu não sabia".

sábado, 21 de abril de 2012

#OccupyCriticalTheory: Theory, Resistance and Revolution in the 21st Century





One of the main achievements of the Occupy movement has been the opening up of new spaces of transformation, resistance and revolution, breaking the claustrophobic confines of the geography of global capital. The movement itself breaks the boundaries of accepted political terminology, opting to trouble the reigning order byspeaking from a position outside of the official political discourse.
From the perspective of the ruling ideology, the Occupy movement appears to lack focus and organization since it does not propose any set of ‘demands’ - that is, in the language adopted by the everyday. The point, though, is not to speak in the language of the existing order, but to change the co-ordinates of the existing order so that what appears as irrational and traumatic from its own perspective
becomes, itself, the structuring principle upon which the conditions of possibility for a new politics may be given form. The emerging political-emancipatory subject of the Occupy movement – the so-called “99%” – has itself been created out of the internal limits of the dynamics of capitalist expansion.

The Occupy movement, as well as the wave of resistance movements in North Africa and the Middle East, dubbed the ‘Arab Spring’, has coincided with changing conditions of mediated communication, the advancement of social media, the development of new mobile media technologies, and the significance of ‘whistle blowing’ websites, such as Wikileaks. These conditions are also met by an increase of ‘hacktivism’ by groups such as Anonymous. The year 2011 was also marked as one of significant political resistance and upheaval by the announcement of Time Magazine that its person of the year is non-other that the (anonymous) ‘protestor’.

But what kind of changes are we witnessing, exactly? Is it really global capitalism collapsing under its own weight? Is it true that it’s a battle of the 99% and the 1% of the world’s population—are we witnessing the long-awaited global revolution of the people that Leftists have been dreaming about for almost two centuries? What will come out of all these revolutions—will it be appropriated by existing politics or will a completely new body of political thought and action come out of it? Naomi Klein dubbed the Occupy movement as “the most important thing happening in the world right now.” But what are the potentials we need to realize and the threats we need to make ourselves aware of regarding this most important thing?

We seek papers that deal with, but are not limited to, the following issues:

- What kind of change are we witnessing with these new exercises of people power? Could it be an ontological change that would redefine the way we perceive the existence of power itself, its structures, andour own roles in global politics?

- What connections are evident between the rise of the occupy movement, new media technologies, and emerging forms of emancipatory subjectivity?

- What kinds of space are created in the occupations? How do occupations and their self-sustained camps structure and change ideological definitions of public vs. private spaces? Why does it bother authorities so much?

- What role does space play in the relationship between political subjectivity and the visual quality of the movement?

- What potential new bodies of politics will emerge stronger after this? Will newfound bodies of technologically-enabled politics such as dynamic P2P democracy to the hacktivists’ potent adhocracy play a more significant role in future societies? Will alternative currencies (bitcoin, etc) and banking systems begin to replace the old ones?

Cyborg Subjects (www.cyborgsubjects.org) takes great pleasure and active interest in placing these issues at the core of its next project. We invite all interested authors to send full-length articles (3500 words maximum), short commentaries (500-800 words), interviews or book reviews (1000-1500 words) to submissions@cyborgsubjects.org. Artworks, videos, performances, etc. related to the topic are also very welcome.

Please send in your work by April 23, 2012. Contributors are free to use any reference style systems (e.g., APA, Harvard etc), as long as they are consistent in how they cite their sources throughout the article, and use endnotes, rather than footnotes, for citations.

Feel free to visit www.cyborgsubjects.org to find out more! You can also find us on Facebook (http://fb.com/cyborgsubjects) and Twitter (http://twitter.com/cyborgsubjects).

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Seminário "Em torno a Hannah Arendt"


Acabo de ver a programação deste seminário sobre Hannah Arendt que começou hoje no IFCS (UFRJ) mas que acontece até o dia 18 de maio. Os encontros acontecem na Sala Celso Lemos, sempre às 17:00 h.

20/04 (Sexta-feira)- Cláudio Oliveira da Silva (UFF): Natureza e política no Livro I da Política de Aristóteles

24/04 (Terça-feira)- Bernardo Barros Coelho de Oliveira (UFF): O juízo de gosto na 3ª crítica de Kant

26/04 (Quinta-feira)- Marco Zingano (USP): A distinção ação/produção na Ética Nicomaquéia

04/05 (Sexta-feira) - Olinto Pegoraro (UERJ): O sentido da morte - sobre o 1º capítulo da 2ª seção de Ser e Tempo (parágrafos 46 a 53)

10/05 (Quinta-feira)- Eduardo Jardim (PUC-RJ): Hannah Arendt – pensadora da crise e de um novo início.

18/05 (Sexta-feira)- Cláudio Oliveira da Silva (UFF): Política e vida em Giorgio Agamben

Haverá uma lista de presença e, ao final, quem tiver assistido mais de 50% do Seminário poderá solicitar o certificado.

O Feio para além do belo



As representações do feio marcam presença incontestável ao longo de toda a história da arte, contradizendo a ideia clássica de que a procura do belo deva ser a finalidade da arte. A prevalência desta ideia foi de tal modo marcante que, ainda hoje, o termo belas-artes intitula cursos, museus e estabelecimentos de ensino ligados à prática artística. Mesmo nos períodos históricos em que a procura do belo pela arte foi assumida com particular ênfase é, todavia, frequente encontrarmos exemplos fascinantes de fuga à norma. O que haverá na representação do feio capaz de suscitar um fascínio distinto daquele que é suscitado pela representação do belo, e tão necessário quanto este último?
Equacionar o feio para além do belo parece não resultar na dissolução da eterna dicotomia com o seu oposto, mas no deslinde das especificidades de uma atracção que o belo não contempla. É acerca de tais especificidades que versa o presente volume, reunindo o conjunto de comunicações apresentadas durante o Seminário Internacional de Estética e Teorias da Arte “O feio para além do Belo”, realizado na Faculdade de Letras e na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, nos dias 17 e 18 de Março de 2011.
Organização: Adriana Veríssimo Serrão, Ana Nolasco, Ana Rita Ferreira, Carlos João Correia, Cristina Azevedo Tavares e Maria João Lello Ortigão de Oliveira.
Edição do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (colecção Æsthetica), com o apoio da Junta da Freguesia de Loures e da FCT(Fundação para a Ciência e Tecnologia).

fonte: Filosofia: O Feio para além do belo

sábado, 31 de março de 2012

El empleo: sobre sujeito e objeto, sujeito-objeto e objeto-sujeito


Dentre as discussões que vêm ocorrendo no âmbito do curso "A vida secreta dos objetos: tecnologia, cognição e materialidades da comunicação", ministrado conjunta e colaborativamente por Erick Felinto (UERJ), Fernanda Bruno (UFRJ) e Simone Pereira de Sá (Uff), parece-me que uma das mais interessantes diz respeito à permanência de certa centralidade do sujeito no interior de epistemologias emergentes, que procuram dar conta disso mesmo que dá nome ao curso: a vida secreta dos objetos. 

Esta semana recebi um vídeo que, a partir das leituras que fizemos até agora, pareceu-me digno de nota. Trata-se do curta-metragem de animação El Empleo, do argentino Santiago Bou Grasso, onde vemos humanos desempenhando funções e mimetizando a forma dos objetos, em uma crítica de relações de trabalho que me pareceram tipicamente modernas (o que o filme apresenta talvez esteja na gênese do capitalismo cognitivo e do trabalho imaterial) . Tanto a objetualização dos sujeitos  (na crítica do trabalho) quanto a humanização dos objetos (na crítica dos objetos técnicos) parecem constituir procedimentos recorrentes na indústria cultural. Isto viria reforçar, à luz dos embates que os textos de Benjamin e Shaviro desencadearam, a dificuldade de ultrapassagem do antropomorfismo, mesmo quando o ponto de partida é anti-antropocêntrico.


O filme de Bou Grasso, apesar de seu antropomorfismo (e talvez por isso mesmo!), deixa algumas pistas interessantes, que podemos seguir ao refletir sobre este pensamento não-hermenêutico dos objetos. Esboço abaixo, apressadaments, algumas questões: 

1) qual a diferença entre objeto e matéria? a concepção de um sujeito que é corpo (matéria) teria a potência de redimir um "antropomorfismo mínimo" de sua vinculação histórica ao antropocentrismo? 

2) a instrumentalidade do objeto como dimensão indissociável de fato, mas distinta por natureza de sua materialidade seria um obstáculo na formulação de uma teoria não-hermenêutica dos objetos?

3) como pensar a relação dos objetos entre eles (o capacho para existir como capacho, entra em relação com abajour, mesas, cadeiras, táxis etc) para além de nossa relação com eles?

Enfim, as pulgas vão se reproduzindo, a cada aula, em progressão geométrica!

sábado, 24 de março de 2012

Informação, tecnicidade, individuação: a urgência do pensamento de Gilbert Simondon

Encontro com programação excelente e "urgente" (como o nome já anuncia) acontecerá na Unicamp, de 2 a 4 de abril, com transmissão on-line. Abaixo está programação e algumas produções do CTeMe para divulgação do pensamento de Gilbert Simondon em português. A dica foi de Daniela T. Manica, do GEACT


__________[APRESENTAÇÃO]
A obra de Gilbert Simondon permanece, ainda hoje, muito pouco conhecida no cenário acadêmico e intelectual brasileiro, apesar de seu crescente destaque, não apenas no campo da filosofia, mas também no das ciências sociais contemporâneas. Filósofo marginalizado e frequentemente reduzido à questão da técnica, Simondon oferece recursos poderosos e ainda muito pouco conhecidos para se pensar as relações sociais entre humanos e também entre humanos e não-humanos de perspectivas variadas, sejam elas sociológicas, antropológicas, políticas, filosóficas, epistemológicas ou estéticas. Suas concepções de informação, tecnicidade, individuação, transdução, metaestabilidade, transindividual, concretização, invenção e tecno-estética, entre outras, vêm oferecendo alternativas valiosas para o avanço na compreensão de temas centrais da contemporaneidade como o trabalho, a mobilização coletiva, as transformações sociais, a presença da tecnologia na vida cotidiana, as tensões entre ética e ciência, as relações entre indivíduo e sociedade, biologia e técnica, natureza e cultura etc.
O Grupo de Pesquisa Conhecimento, Tecnologia e Mercado (CTeMe), impelido pela urgência de retomar o movimento do pensamento de Simondon, de colocar seus conceitos e suas ideias para funcionar no contexto contemporâneo, convidou alguns pesquisadores brasileiros e estrangeiros de diversas áreas – sociologia, antropologia, filosofia, arte, design e computação – e instituições – Conicet (Argentina), Fatec (Jundiaí), PUC-SP, UBA (Argentina), UFRJ (IFCS e Museu Nacional), UFPR, UnB, Unicamp e Unifesp – envolvidos em atividades de alguma forma relacionadas à importância e urgência do pensamento de Simondon, para três dias de debates no IFCH/Unicamp. A escolha dos pesquisadores convidados foi criteriosa, orientada não por política institucional e especialização disciplinar ou temática, mas sim por afinidades estético-políticas distribuídas em redes heterogenéticas. Certamente, muitos outros pesquisadores brasileiros que vêm trabalhando com as ideias simondonianas poderiam ter sido convidados para este encontro ou citados aqui; trata-se de um estímulo para que ele se desdobre em novas oportunidades de ampliar cada vez mais o coletivo mobilizado em torno da urgência do pensamento de Simondon. Por hora, e para um encontro que começou como um sonho sem nenhum fundamento na realidade burocrática e institucional das agências de financiamento e do mundo acadêmico brasileiro atual, até que não nos saímos tão mal. O encontro “Informação, tecnicidade, individuação: a urgência do pensamento de Gilbert Simondon” ocorrerá nos dias 2, 3 e 4 de abril no Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com acesso livre e transmissão pela internet (streaming).

__________[PROPAGAÇÃO]
Disponibilizamos aqui algum material com o objetivo duplo de divulgar o encontro e a obra de Simondon.
Por um lado, disponibilizamos as traduções para o português dos capítulos introdutórios das duas obras mais importantes de Simondon, Du mode d’existence des objets techniques – traduzido por Pedro P. Ferreira e Christian P. Kasper e já publicado anteriormente, com o título de “Cultura e Técnica”, na revista Nada (no.11, 2008) – e L’Individuation à la lumière des notions de forme et d’information – traduzido por Pedro P. Ferreira e Francisco A. Caminati e ainda não publicado.
Por outro lado, disponibilizamos também transcrições de aulas e passagens de textos de Laymert Garcia dos Santos, que há décadas mobiliza Simondon na articulação sócioantropológica de muitos dos principais problemas contemporâneos. Apesar de evidentemente não ser o único a empregar Simondon no campo intelectual brasileiro contemporâneo, Laymert se destaca por seu pioneirismo, pela consistência de sua leitura e pelo acesso privilegiado que oferece às ideias do filósofo.
As aulas transcritas ocorreram nos dias 02/03/2011, 16/03/2011 e 30/03/2011no IFCH/UNICAMP, quando Laymert debatia partes de Du mode d’existence des objets techniques com alunos, numa disciplina de pós-graduação dedicada exclusivamente ao debate das ideias de Simondon.
Quanto aos textos, selecionamos passagens de sete textos diferentes publicados entre 1981 e 2011, nas quais Laymert mobiliza Simondon para pensar não apenas a tecnologia em sua especificidade (tecnicidade, concretização, invenção) e em sua relação com o humano (a relação homem-máquina) e com a sociedade (o conjunto sociotécnico), mas também temas específicos como trabalho, progresso, alienação, artificialização, xamanismo, ambientalismo, informação, cibernética, memória, vida e individuação. São eles: Desregulagens (1981, pp.23-7); “O homem e a máquina” (Imagens, 1994, pp.48); “Tecnologia, natureza e a redescoberta do Brasil” (Tecnociência e Cultura, 1998, pp.38-43); “A informação após a virada cibernética” (Revolução tecnológica, internet e socialismo, 2003, pp.12-3); “Demasiadamente pós-humano” (Novos Estudos Cebrap, 2003, pp.166-7); “Paradoxos da propriedade intelectual” (Propriedade Intelectual, 2007, pp.52-7); “Ópera multimídia Amazônia” (Cadernos de Subjetividade, 2011, pp.34-5).
Esperamos que este material contribua para a propagação das ideias de Simondon no Brasil – uma contribuição inevitavelmente situada e parcial, mas por isso mesmo ativa e engajada.

__________[PROGRAMAÇÃO]
Dia 02 de abril de 2012
    19h – Mesa 1 – Modos de existência: A mesa de abertura, pela sua heterogeneidade e importância, indica o propósito do evento: alertar para a atualidade e urgência da transdisciplinaridade do pensamento de Gilbert Simondon em nossa contemporaneidade. Nesse sentido, o sociólogoLaymert Garcia dos Santos (Unicamp) explorará as relações e tensões entre estética e sociedade no pensamento de Simondon e Étienne Souriau; a filósofa Muriel Combes desenvolverá uma releitura da problemática do sujeito em sua relação com o biopoder e a biopolítica; e o antropólogoEduardo Viveiros de Castro (UFRJ) considerará o problema do estatuto da relação na antropologia contemporânea, considerando o recente debate em torno das “object-oriented-ontologies”. A mesa será mediada por Christian P. Kasper (UFPR).
    22h30 – Diálogos e Ressonâncias no Almanaque Café: Improviso Livre com Thomas Rohrer e convidados.
Dia 03 de abril de 2012
    9h30 – Mesa 2 – Tecnopolíticas: Em sua filosofia da técnica, Gilbert Simondon aponta a urgência de problematizar as relações cotidianas entre o ser humano e os objetos técnicos que o rodeiam a partir de uma análise que ultrapasse um pensamento autocrático. Nesse esforço, surge a necessidade de uma politização específica da tecnologia que escape tanto da tecnofilia quanto da tecnofobia. As configurações sociopolíticas da técnica e da tecnologia serão tema de uma mesa de discussão específica, em que os debatedores Henrique Parra (Unifesp), Silvio Rhatto (Saravá.org) eRafael Diniz (WiMobilis) discutirão, a partir de suas próprias investigações, a dimensão política das relações atuais entre “homem e máquina”. A mesa será mediada por Stefano Schiavetto (Unicamp).
    14h30 – Mesa 3 – Individuações: Considerando a necessidade de se compreender o pensamento de Simondon para além do campo restrito de uma “filosofia da técnica”, esta mesa permitirá considerar a importância de sua obra no interior do pensamento filosófico contemporâneo, lembrando da advertência do próprio filósofo para a necessidade de uma reforma das noções filosóficas fundamentais. Nesse sentido, os pesquisadores e filósofos Oswaldo Giacoia Jr. (Unicamp), Peter Pál Pelbart (PUC-SP) e Pablo E. Rodríguez (Conicet) colocarão em discussão as implicações políticas e filosóficas da noção simondoniana de individuação. A mesa será mediada por Rodolfo E. Scachetti (Fatec).
    19h – Mostra Harun Farocki (“A mira certeira da câmera: linguagem, política e ideologia”) na Casa do Lago: Exibição do filme Como se vê (Wie man sieht), seguida de debate com Laymert Garcia dos Santos.
Dia 04 de abril de 2012
    9h30 – Mesa 4 – Informação: Crítico com relação à tradição dualista do pensamento ocidental moderno, fundado em oposições como indivíduo/sociedade, homem/máquina ou natureza/cultura, Simondon propõe novas maneiras de pensar as relações entre técnica, estética e vida, notadamente a partir de um método genético. A tecnoestética, na medida em que representa uma das ocasiões de convergência das fases do ser, está diretamente relacionada ao conjunto de seu pensamento, em específico à noção de informação e de processo de individuação. A mesa composta pelos pesquisadores Emerson Freire (Fatec, Jundiaí), Diego J. Vicentin(Unicamp) e Cecilia Diaz-Isenrath (UBA, Argentina) oferecerá um contexto para a discussão em torno das interrelações entre técnica, estética, informação e individuação no pensamento simondoniano. A mesa será mediada por Marta M. Kanashiro (Labjor/Unicamp).
    14h30 – Mesa 5 – Sócio-antropotécnica: A técnica, para Simondon, é parte de um processo de individuação mais amplo envolvendo indivíduos físicos, biológicos e psicossociais. Assim, a técnica e os objetos técnicos surgem como resolução parcial para o problema da relação do ser humano com o mundo. O problema da invenção é central aqui, evidenciando a contribuição do pensamento de Simondon sobre a individuação para pensar questões antropotécnicas e sociotécnicas. A mesa composta pelos pesquisadores Carlos E. Sautchuk (Unb), Daniela T. Manica (UFRJ) eChristian P. Kasper (UFPR) envolverá, assim, contextos etnográficos particulares e conexões conceituais singulares em um debate sobre técnica, objetos e invenção. A mesa será mediada por Rainer M. Brito (UFSCar).

__________[RESSONÂNCIAS]
Mostra Harun Farocki – A mira precisa da câmera: linguagem, política e ideologia: Aulas públicas com Laymert Garcia dos Santos na Casa do Lago (Unicamp).
    13/03 – 16h (sem debate) e 19h (com debate): Natureza morta(Stilleben, 1977).
    20/03 – 16h (sem debate) e 19h (com debate): Videograma de uma revolução (Videogramme einer revolution, 1992)
    27/03 – 16h (sem debate) e 19h (com debate): Reconhecer e perseguir(Erkennen und verfolgen, 2003)
    03/04 – 16h (sem debate) e 19h (com debate): Como se vê (Wie man sieht, 1986)

__________[PARTICIPAÇÃO]
Carlos E. Sautchuk (DAn/UnB; LACT): Professor adjunto do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília. Licenciado em Educação Física, mestre e doutor em Antropologia Social pela mesma instituição. Empreendeu estágio doutoral junto ao grupo Techniques et Culture (CNRS/MNHN – França); é coordenador do Laboratório de Antropologia da Ciência e da Técnica (DAN/UnB) e pesquisador do Centro de Desenvolvimento de Estudos do Esporte e do Lazer (Rede CEDES – Ministério do Esporte/UnB). Tem experiência nas áreas de Antropologia da Técnica e do Corpo, com ênfase nos processos de construção da pessoa. Pesquisa temas relativos a pesca, caça, meio ambiente e sociedades caboclas amazônicas; também empreende estudos sobre o campo da Educação Física e sobre atividades corporais em contextos urbanos (esporte, fitness e lazer).
Cecilia Diaz Isenrath (UBA-AR; CTeMe): Possui graduação em Sociologia pela Universidade Nacional de Cuyo, doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas, sendo atualmente professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires. Tem experiência na área de Sociologia da Tecnologia, atuando principalmente nos seguintes temas: tecnologia da informação, software, governamentalidade, neoliberalismo.
Christian P. Kasper (Design e Cultura/UFPR; CTeMe): possui graduação em Artes visuais pela Ecole Supérieure Des Beaux Arts de Genebra (1995) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2006). Tem experiência na área de Desenho Industrial, com ênfase em Desenho de Produto. Seu campo atual de pesquisa envolve questões relativas ao design e à cultura material, em seus aspectos sociológicos, antropológicos, micropolíticos e filosóficos.
Daniela T. Manica (IFCS/UFRJ; GEACT; CTeMe): É professora adjunta no Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ). Possui graduação em Ciências Sociais (2001), mestrado (2003) e doutorado (2009) em Antropologia Social pela Unicamp. Tem experiência na área de Antropologia Social, discutindo principalmente os seguintes temas: relações entre cultura e natureza, gênero, tecnologia e medicina e itinerários intelectuais.
Diego J. Vicentin (IFCH/UNICAMP; CTeMe): Doutorando em Sociologia (IFCH/ UNICAMP), atualmente integra o grupo de pesquisas CTeMe (Conhecimento Tecnologia e Mercado) da mesma universidade, onde desenvolve pesquisa relativa ao desenvolvimento e evolução das tecnologias móveis de comunicação. Trabalha como pesquisador no Núcleo de Estudos da Violência da USP, na equipe que investiga as causalidades para a queda na taxa de homicídios que se pôde verificar na última década no município de São Paulo/SP.
Eduardo B. Viveiros de Castro (PPGAS/UFRJ – Museu Nacional; NuTI; NAnSi): Etnólogo americanista, com experiência de pesquisa na Amazônia, é professor de etnologia no Museu Nacional/UFRJ desde 1978. Doutor em Antropologia Social pela UFRJ (1984), fez pós-doutorado na Université de Paris X (1989), é membro da Equipe de Pesquisas Americanistas do C.N.R.S. desde 2001. Foi professor Simón Bolívar de Estudos Latino Americanos na Universidade de Cambridge (1997-98), Diretor de pesquisas no C.N.R.S. (1999-2001) e professor visitante nas Universidades de Chicago (1991, 2004), Manchester (1994), USP (2003) e UFMG (2005-06). Recebeu prêmio de melhor tese de doutorado em Ciências Sociais da ANPOCS (1984), Médaille de la Francophonie da Academia Francesa (1998), Prêmio Erico Vanucci Mendes do CNPq (2004), Ordem Nacional do Mérito Científico (2008). Publicou cerca de 120 artigos ou capítulos de livros e sete livros, de 1972 ao presente. Coordenou o Projeto Pronex “Transformações indígenas: os regimes de subjetivação ameríndios à prova da história” (2004-06). É o coordenador do Núcleo de Transformações Indígenas, grupo baseado no Museu Nacional/UFRJ, e co-coordenador da Rede Abaeté de Antropologia Simétrica.
Emerson Freire (Fatec-Jundiaí; IFCH/Unicamp; CTeMe): Professor na Faculdade de Tecnologia de Jundiaí e cursa doutorado em Sociologia pela Unicamp, com estágio na Université Paris 1 – Panthéon Sorbonne – França. Foi ganhador do Prêmio Rumos Pesquisa do Instituto Itaú Cultural em seleção nacional, prêmio este destinado ao fomento de pesquisadores em artemídia. Interessa-se pelas relações sociotécnicas produzidas no âmbito das produções artísticas que tematizam ou operam com as tecnologias contemporâneas. Desde 2003 é pesquisador do Grupo CTeMe da Unicamp e coordena o Núcleo de Estudos de Tecnologia e Sociedade (NETS) na Fatec Jundiaí.
Henrique Parra (DCS/EFLCH/Unifesp-Guarulhos): Graduado em Ciências Sociais (USP), mestre em Sociologia (USP) e Doutor em Educação (UNICAMP), é Professor Adjunto do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atualmente se dedica a investigar as dinâmicas sociais de produção de conhecimento no contexto de expansão das tecnologias digitais. Destaque para a relação “homem-máquina”; as configurações sócio-políticas da tecnologia; a relação entre instituições sociais, cultura, economia e política. Trabalhou como professor, pesquisador e gestor público em diferentes instituições, atuando em áreas relacionadas à Sociologia da Tecnologia, desenvolvimento sócio-econômico, políticas públicas, tecnologia social, direitos humanos e comunicação. Paralelamente, como fotógrafo realizou diversos trabalhos de documentação e produção artística, tanto individualmente como através de coletivos em que foi colaborador.
Laymert Garcia dos Santos (IFCH/Unicamp; CTeMe): Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1969), mestre em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (1975) e doutor em Ciências da Informação pela Université de Paris VII/Université Denis Diderot (1980), atualmente é professor titular do Depto. de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), conselheiro do CNPC do Ministério da Cultura e tem pesquisa individual financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi Diretor da Fundação Bienal de São Paulo de outubro de 2009 a junho de 2010. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Tecnologia e em Arte Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: biotecnologia, tecnologia, arte contemporânea, política e Brasil. Atualmente é Coordenador do Laboratório de Cultura e Tecnologia em Rede, Instituto Século 21, em São Paulo e do Grupo de Pesquisa CTeMe, na Unicamp.
Muriel Combes: Filósofa francesa, autora de obras de referência em filosofia e sobre o pensamento de Gilbert Simondon, tais como Simondon: Individu et collectivité. Pour une philosophie du transindividuel, Paris, PUF, coll. « Philosophies », 1999 e La vie inséparée. Vie et sujet entre biopouvoir et politique, Lille, ANRT, 2003. Participou em 1996 da fundação da revista de cinema Persistances, e em 1998 da fundação da revista política e cultural Alice.
Oswaldo Giacoia Jr. (IFCH/Unicamp): Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1976) e em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (1976). Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983) e Doutor em Filosofia pela Freie Universität Berlin (1988). Pós doutorado pela Freie Universität Berlin (93-94), Viena (97-98) e Lecce (2005-2006). Atualmente é professor Livre-Docente do Departamento de Filosofia-IFCH da Universidade Estadual de Campinas. Sua pesquisa concentra-se na área de Filosofia Moderna e Contemporânea, com ênfase em História da Filosofia e Ética, ocupando-se de temas como: teoria da cultura, ética pura e aplicada, filosofia do direito, filosofia social, política e da história, filosofia clássica francesa e alemã.
Pablo E. Rodríguez (UBA, CONICET): Doutor em Ciências Sociais (Universidad de Buenos Aires) e mestre em Ciências Políticas (Université de Paris I- Panthéon Sorbonne). Pesquisador do Conicet argentino (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas). Traduziu para o espanhol (junto com Margarita Martínez) o livro Du mode d’existence des objects techniques de Gilbert Simondon e escreveu os prólogos deste livro e do La individuación a la luz de las nociones de forma y de información, do mesmo autor.
Peter Pál Pelbart (PUC-SP): Possui graduação em Filosofia pela Sorbonne (Paris IV- 1983) e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1996). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Estudioso da obra de Gilles Deleuze, traduziu para o português os livrosConversações, Crítica e Clínica e parte de Mil Platôs. Escreveu sobre a concepção de tempo em Deleuze (O tempo não-reconciliado, Perspectiva, 1998), sobre a relação entre filosofia e loucura (Da clausura do fora ao fora da clausura: Loucura e Desrazão, Brasiliense, 1989 e A Nau do tempo-rei, Imago, 1993) e sobre a relação entre política e subjetividade (A vertigem por um fio: Políticas da subjetividade contemporânea, Iluminuras, 2000, e Vida Capital, Iluminuras, 2003).
Rafael Diniz (WiMobilis Digital Technologies): Bacharel em Ciência da Computação pela Unicamp, participa do coletivo Saravá, do Rizoma Rádio Livre e de outras organizações e coletivos midiativistas. Como programador de alto nível, interessa-se por questões direcionadas às relações entre técnica e política.
Silvio Rhatto (Saravá.org): Bacharel em Meteorologia pela Universidade de São Paulo, autodidata em computação e diletante em ciências sociais. Contribuiu com o Rizoma das Rádios Livres e com o Centro de Mídia Independente. Atualmente participa do Grupo Saravá.

__________[ORGANIZAÇÃO]
Laymert Garcia dos Santos
Pedro Peixoto Ferreira
Elton Corbanezi
Janir Coutinho Batista
Leonardo Ribeiro da Cruz
Thiago Novaes

__________[OPERAÇÃO]
Andressa C. Batista
Elton Corbanezi
Janir Coutinho Batista
Leonardo Ribeiro da Cruz
Marta M. Kanashiro
Martha Ramirez-Gálvez
Osvaldo J. López-Ruiz
Paulo Tavares
Rafael Alves da Silva
Rafael Malhão
Rainer M. Brito
Rodolfo E. Scachetti
Stefano Schiavetto
Thiago Novaes

__________[INSCRIÇÃO]
Para se inscrever, enviar email com nome e instituição para: inscricoes.encontro.simondon@gmail.com

__________[PROMOÇÃO]

*Universidade Estadual de Campinas
*Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
*Programa de Pós Graduação em Sociologia
*Departamento de Sociologia
*Grupo de Pesquisa Conhecimento, Tecnologia e Mercado

__________[APOIO]









fonte: http://cteme.wordpress.com/eventos/informacao-tecnicidade-individuacao-a-urgencia-do-pensamento-de-gilbert-simondon/

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